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Publicado em 10 de janeiro de 2019 às 10:57

Google paralisa buscador censurado para a China

Chamado de Dragonfly, buscador censurado para a China supostamente foi paralisado por conflitos com a equipe de privacidade do próprio Google

Os esforços do Google para voltar a ter um buscador na China foram interrompidos. Fontes próximas à companhia disseram ao The Intercept que o Dragonfly, como o projeto foi batizado, teve seu desenvolvimento paralisado após forte pressão de funcionários da companhia, principalmente dos que lidam com privacidade.

Não que a China seja um mercado inexplorado pelo Google. A companhia manteve um buscador no país entre 2006 e 2010. Uma das razões que fizeram o serviço ser descontinuado por lá foi a pressão do governo chinês para a aplicação de filtros de censura no buscador. A parte mais polêmica do Dragonfly gira justamente em torno disso: o projeto teria sido criado para contar com esses filtros.

De acordo com as fontes, a derrocada do projeto teve início com o 265.com. O site foi comprado pelo Google em 2008 e fornece notícias, horóscopo e vários outros serviços. Entre eles está um buscador que redireciona as pesquisas para o Baidu, a maior plataforma de buscas da China.

Até aí, nenhum problema. No entanto, pelo menos um engenheiro envolvido com o Dragonfly teria tido acesso a uma API que permitiu a ele coletar dados de buscas efetuadas no 265.com. Posteriormente, esses dados teriam sido analisados com uma ferramenta chamada BeaconTower para verificar quais resultados das pesquisas levavam a sites bloqueados pelo sistema de censura chinês, conhecido como Grande Firewall da China.

Supostamente, essas análises permitiram aos engenheiros do projeto compilar uma gigantesca lista de sites censurados para serem bloqueados pelo Dragonfly. O problema é que a equipe de privacidade do Google não ficou sabendo disso — por padrão, projetos que envolvem dados de usuários devem passar pelo aval desse time.

Tudo indica que eles só descobriram o uso do site 265.com após uma publicação do The Intercept. Na sequência, executivos responsáveis pelo Dragonfly teriam sido questionados por membros da equipe de privacidade furiosos com o tratamento sigiloso dado ao assunto. Aparentemente, foram essas discussões somadas às pressões de outros funcionários que levaram ao fim do uso dos dados do site.

Engenheiros envolvidos com o Dragonfly teriam então sido instruídos a usar conjuntos de dados diferentes no desenvolvimento do projeto, como consultas globais sobre a China. Só que, como esses dados são muito distintos daqueles provenientes do 265.com, não houve condições de dar continuidade.

Eis o resultado: o Dragonfly está com seu desenvolvimento totalmente suspenso e vários engenheiros que trabalhavam no buscador foram direcionados a projetos em países como Índia, Rússia e Brasil. Pelo menos é o que dizem as fontes.

ONGs ligadas a direitos humanos até comemoraram a descontinuidade do Dragonfly, mas não dão o assunto como encerrado. A Anistia Internacional, por exemplo, declarou preocupação com a notícia de que a paralisação do projeto foi motivada por discordâncias internas, não por atenção aos direitos humanos.

De todo modo, uma certa vigilância deverá ser mantida por essas organizações, afinal, ainda não dá confirmar o fim do projeto. Existe a possibilidade de o Google estar dando um tempo para encontrar uma solução para o impasse ou esperando a poeira baixar. A companhia não comenta o assunto.


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